Bailique (AP) las cabaças

24/10/2008

Fomos atar as redes no barco “Deus nos Guie” que nos levará ao Bailique. De manhã o barco estava vazio, mas à tarde até nos assustamos com as 150 pessoas e suas respectivas redes armadas. O barco virou um poleiro.Essa noite foi uma verdadeira loucura porque o barco balançava demais, as redes batiam umas nas outras violentamente e por isso muitas pessoas preferiam dormir no chão. Então o barco era um monte de redes emaranhadas balançando, batendo em fortes golpes e o chão lotado de malas e pessoas. Teve gente que preferiu dormir sentado coberto até a cabeça com um lençol. Teve gente que passou a noite jogando dominó.

Chegando na Vila Progresso, dormimos no hotel desativado da escola Bosque e conseqüentemente acordamos nele mesmo.O Bailique é um arquipélogo composto de 8 ilhas e 48 comunidades.

Andamos de um canto a outro da vila vezes suficiente para gastar o calcanhar da chinela havaiana, coisa que acontece quando se anda sobre pontes, não me pergunte por que.

Fizemos palhaçadas hoje à tarde. No final duas crianças correram em nossa direção, subindo uma no colo de Bifi e outra no meu. Eis que surge, como um presente do acaso uma terceira criança, menor que as duas primeiras, vindo em nossa direção com um gato no colo para compor a imagem daquele hai kai.

Termino a noite na rede observando uma caranguejeira jantar uma barata. Ela tem patas invejáveis!

Fui tomar um banho e sai com os cabelos despenteados. Dona Galanta ao me ver, sem nada dizer, levou-me até a sua penteadeira e apontou o pente, o creme para os cabelos e a colônia perfumada. Foi a primeira vez que penteei os cabelos nos últimos 5 meses.

Ela acontece com freqüência aqui na frente de casa e, segundo Erundino nenhum cientista explica a pororoca. Dizem que é o encontro da água doce e a salgada, mas eu mesmo já vi acontecer entre duas águas doces. Só sei que faz um barulhão.

A explicação do presidente de Livramento sobre o mau funcionamento do único orelhão da vila: _ Entre uma ligação e outra tem que esperar 5 minutos para o telefone recuperar, mas o pessoal acaba fazendo essa fila danada, ligando um depois do outro. Assim não tem telefone que agüente!

Às 18hs o barco parou em Itamatatuba para esperar a maré subir. Saímos para um passeio. O jogo de futebol dos graúdos estava sendo decidido nos pênaltis. As pontes não estavam confiáveis. Colhi urucum para fazer tinta.

5 pessoas fizeram comentários

anônimo - Gravatar

anônimo disse em 24 de Novembro de 2008 às 10:29 am:

Arraiol

Erê! Banana trezentas
Escora pra agüentá
O peso de cada dúzia
Pesando pra despencá
Erê! Banana rabicha
Prata, Uçu, Amapá
Rabuda, urucuri
Gemendo o cacho dá

Telelém… Sigo vivendo
Aprendendo cada lugar
Arejando o caminho
Com o que vi e sei contar

Telelém… Se a maré é morta
Ou se ela está de lanço
É com o tamanho dos braços
Que escolho como avanço

Erê! Telelém… Telelém…

Layla Roiz Pontes - Gravatar

Layla Roiz Pontes disse em 25 de Novembro de 2008 às 5:35 pm:

Meninas, como já falei, o trabalho de vocês é incrível. Isso é que é ir ao âmago da questão!
Ah, adorei saber que os cientistas não explicam a Pororoca. Um mistério sempre é bom…
beijo enorme! e bons caminhos!
layloca pororoca

anônimo - Gravatar

anônimo disse em 27 de Novembro de 2008 às 10:10 am:

Rede

Erê! Telelém… Telelém…

“Ata rede
Desata rede
Balança rede
Desembalança rede
Dorme rede
Acorda rede
Come rede
Fome rede
Palavra rede
Não palavra rede
Silêncio rede
Barulho rede
Navega rede
Desnavega rede
Joga a rede
Pega a rede
Ata a rede
Desata a rede”

Ju das Balsas chegou na porta
Uma rede pediu pra armar
Estava sem pensamento
E não entendia o lugar
Amarrou um lado no esteio
O outro na réstia do luar

Telelém… Telelém…

anônimo - Gravatar

anônimo disse em 27 de Novembro de 2008 às 10:17 am:

Peixe Cari

Erê! Telelém… Telelém…
Reaja, refaça, reveja.
Telelém… Telelém…
Ressurja, retorne…
Telelém… Telelém…

Cambóia correu pro mato
Jacuraru levou um susto
Quem come peixe Cari
Volta que nem o Augusto

Cambóia voltou do mato
Jucuraru não levou susto
No dia que me lembrar
Eu volto a qualquer custo

Erê! Telelém… Telelém…
Repense, reflita, reaja
Se lembre e reapareça
Telelém… Telelém…

WLADIMIR FURTADO - Gravatar

WLADIMIR FURTADO disse em 3 de Janeiro de 2009 às 4:42 pm:

Gostei da materia sobre o Bailique, ja que sou o responsavel pelo Hotel Escola Bosque do Bailique, Voltem sempre!!!

Faça um comentário

Os campos marcados com "*" são obrigatórios.