Frechal (MA)
Recebemos em S.Luis nossos parceiros Anderson Spada, Davi Taiu, Fernando Paz e Luciana Viacava, respectivamente os palhaços De Dérson, Dadúvida, Montanha e Lola Brígida. Vieram caminhando pelo Beco da Bosta, felizes da vida. Saímos correndo para saudá-los. Ficarão conosco durante 40 dias, somando a palhaçaria.
Apresentamos nosso novo espetáculo, que demos o nome de Zuada de Palhaços, na sede do Boi de Floresta de Apolônio. Fizemos um cortejo muito animado no bairro para convidar as pessoas. Lola voando com seu guarda chuva em aparições curtas, os meninos com seus chapéus que lhes renderam duas cenas, e nós com a boa e velha pulga Elvis… Aproveitamos para fazer todos juntos a gag que aprendemos com o Pimentinha em Santarém, chamada A Égua Relâmpago
De noite fomos na festa de Baião de Princesa na casa Fanti-Ashanti em homenagem `a Santa Luzia. Assim que chegamos fomos conduzidos para algo muito leve e alegre pelas entidades-crianças-princesas que ali estavam a girar, a encantar. Pai Euclides regia a festa cantando, sentado como um leão a observar seus filhos.
Chegamos no Frechal `as 11:30hs. Encontramos no casarão Jorge, que cuidava junto com outras mulheres do almoço dos 51 alunos da nova escola agrotécnica do governo federal que o casarão está abrigando. São 15 dias de aulas ininterruptas e 15 dias de descanso em que vão pra casa.
Cumprimentamos D.Duzinha que estava alegre como eu nunca vira antes. Disse que havia pensado na gente semana passada, sem saber que vínhamos.
Tomamos banho no igarapé Cacete de Inácio, jantamos e voltamos pra casa de Duzinha pra conversar. Ela disse:
_ Já é a terceira vez que vocês vem. Já estão morando aqui e não sabem.
O Frechal está diferente. O governo construiu muitas casas de alvenaria e telhado de amianto, com banheiro dentro, dois quartos, sala e cozinha. Todos que se inscreveram, ganharam a sua. Os rapazes solteiros já tem moradia própria.
_ Agora só falta a mulher, disse Jorge.
Ficaremos hospedados na casa nova de Jonas que está pra S. Luis mas fez questão que ficássemos lá. D. Jovina, mãe de Jonas, nos esperava com um abraço saudoso de boas vindas. Raul cresceu muito, está com 5 anos e os cabelos rastafári.
De manhã, depois de um belo café fomos pro rio nadar e fazer nosso treinamento todos juntos. Almoçamos e saímos para as palhaçadas os 5 palhaços.
Dadúvida começou me levando num pequeno carrinho de boi, brinquedo feito por Lúcio para seus netos. Com o cortejo musical íamos de um lugar `a outro. O carro de boi de tamanho verdadeiro virou o arame de equilíbrio para encontrar as moças que ali estavam.
_Cuidado Quinan, isso pode ser perigoso!
_ Bifi, sempre é perigoso!
Dadúvida e Dedérson brigaram pela e com a cadeira imaginária, Lola chorou espirrando água e as crianças gostaram muito disso. Terminamos as palhaçadas de noite.
Como uma flecha nós cheguemos no Frechal,
Aqui fomos bem recebidos por Bié e seus iguaus.
De tarde Raul apareceu por aqui, queria que Lola chorasse água nele. Ela disse que só chorava quando se emocionava. Ele então perguntou:
_ Você chora ni caminhão?
_ Você chora ni trator?
A brincadeira foi falar todos os lugares ni qui Lola pudesse se emocionar e chorar.
De noite, na fogueira começamos a ouvir uns gritinhos Uúú, Êaa vindos do mato. Eram as crianças chegando pra cantar junto. Anderson puxou a música inventada por ele e Davi. “Se errar é humano, acertar é o quê?”
Fizemos uma rodada para cada um responder, depois ficamos versando nessa melodia até o sono chegar. Revimos nessa noite Dani e Ivomara, que eram crianças e agora são duas moças formadas.
Que noite boa.
Fomos na casa de farinha. A mandioca estava de molho para ser descascada, todos trabalhando juntos, conversando. Nos acocoramos ali mesmo para participar.
O cheiro azedo forte, as mãos negras brancas com o caldo, o bezerro teimoso que enfiava a cara no cofo pra comer as cascas, um por um tentava espantá-lo, mas ele voltava … a satisfação dos mais velhos em saber que voltamos com outros palhaços para novas brincadeiras … as crianças sempre em volta.
Fomos até o rio Uru que, segundo Duzinha, em cada trecho tem um apelido diferente.
_ Aqui esse um é chamado de Pontinha. Tinha até uma ponte bem aí (apontava com a boca), mas ela caiu.
Ela esteve sentada na sombra da árvore durante todo o tempo do banho, quis saber muitas perguntas sobre nós e os novos companheiros, quem era marido de quem, como era o nome de cada um, quem tinha filhos… disse que toda mulher tinha que ter filho.
_ Aqui no Frechal tem alguma que não teve filhos?
_ Hum. É preciso procurar com uma lamparina alguma mulher que não pariu aqui.
Toda concordância ela pontuava num tom abaixo, mais grave:
_ Justo. Hê hêm.
Fomos no quilombo de Damásio onde fizemos uma intervenção surrealista, com cada palhaço surgindo de um lugar, sem nada avisar. Foi uma ótima experiência, no começo todos ficaram desconfiados. Ouvi algumas frases:
_ Ê, olha lá praquilo ali. Que doidêra é essa? Tem mais um ali, olha lá.
Íamos nos encontrando aos poucos com os outros palhaços, como quem reconhece um parente distante. No final juntou muita gente pra olhar, a mulher esqueceu o arroz no fogo que queimou e virou o tema da cena… foi bem divertido e os meninos adoraram a nova experiência.
Nos mudamos para o casarão. Varremos, faxinamos, limpamos. Cada um escolheu onde ia dormir. Nossa palhaçada hoje foi feita em cima de um carro de boi guiado por Pintura e Ouro Preto. Passamos de casa em casa fazendo um convite cantado:
na quinta feira vou fazer uma festa,
vai ser lá dentro do casarão,
vai ter zuada, coisa engraçada,
e a tristeza não mora lá não.
vamos chegar José,
vamos chegar João,
vamos chegar Maria,
vamos chegar, meu irmão
dia 25, dia de natal
`as sete horas, ao anoitecer
a palhaçada vai correr geral,
peça a suas pernas pra levar você
vamos chegar Tatá,
vamos chegar Tetê,
vamos chegar Raul,
vamos chegar você.
Preparamos a comida para a ceia de Natal (arroz, lentilha, peixe e brigadeiro de sobremesa). Duzinha e Jonas comeram conosco. Ela trouxe um cajado fabricado por ela mesma, com luzes. Representou nossa árvore natalina.
Passamos o dia preparando o casarão para a apresentação. Varremos, passamos pano, ensaiamos o espetáculo com 10 cenas, fizemos pipoca para o público. O povo foi chegando aos poucos e a banda ia se aquecendo junto com a chegada dos que vinham depois. A apresentação foi emocionante. Fizemos o retorno de Élvis que chegou num barquinho de papel. Terminamos a noite mostrando o vídeo de 2006 onde eles se viram. Tomamos banho no rio e dormimos. Feliz Natal.
escute aqui lindo Frechal
agradecemos vocês
por nos ter bem recebido
até outro dia, até mais ver…
Duzinha disse que os meninos gostaram muito do espetáculo. Que era só a gente aparecer que eles acendiam o sorriso.
Hoje amanheceu chovendo.Despedimo-nos de D.Duzinha, seu Bié, Jovina, Jorge, Jonas…
De Mirinzal pegamos o ônibus pra Cururupu onde ficamos o tempo de almoçar e depois pegamos uma van até Apicum-Açu. O caminho era cheio de buritis, açaizeiros, casas de tapera, um areião… crianças brincando.
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6 pessoas fizeram comentários
Cleia disse em 19 de Janeiro de 2009 às 11:41 am:
Ai,que saudade !!!
Ai,que inveja!!!
Pelo vist,vocês cuidaram muito bem dos nossos meninos…Muito obrigada!
anonimo disse em 19 de Janeiro de 2009 às 11:44 am:
Somado não dá errado
Erê! Beco da Bosta
Lugar encantado
Onde novesfora é tudo
Somado não dá errado
Telelém… Telelém…
Se ouvir um cavaquinho
Seguindo um violão
Ou o canto de um menino
No dentro duma canção
Se escutar um clarinete
Com trompete duelando
Um pandeiro em surdina
Com um sax escutando
Ou a caixa conversando
Baixinho com a rabeca
Um sax dando palpites
Caxixi cozendo a beca
Pode ficar tranqüilo
E aproveite o encantado
Desta festa de alegria
Com amor por todo lado
Erê! Beco da Bosta
Benvindo louvado seja
Telelém… Telelém…
Bendito louvado seja
Telelém… Telelém… Telelém…
anonimo disse em 19 de Janeiro de 2009 às 11:46 am:
Louvação
Louvo agora Lola Brígida
E a Dedérson também
Que vieram bem de longe
Pra cantar o Telelém…
Um louvo dou a Da Dúvida
Pra Montanha eu dou também
Que vieram bem de longe
Pra cantar o Telelém…
Erê! Mundo pequeno
A todos louvo também
O meu jeito de louvar
É cantar o Telelém…
Telelém… Telelém… Telelém…
anonimo disse em 19 de Janeiro de 2009 às 11:49 am:
Frechal
Erê! Duzinha e Dona Jovina
Alegre fico também
Em rever duas rainhas
Que essa terra têm
Telelém… Telelém… Telelém…
Um pouco eu moro aqui
Um outro em todo lugar
Cada dia eu aprendo
Aonde posso chegar
Voltamos na valentia
De aqui poder estar
Sabendo da fidalguia
De amigos em cada lar
Erê! Zuada
Telelém… para Bié
Para Damásio, Jorge e Jonas
Erê! Aroca, Casarão
Feliz eu varro o chão
Duzinha acende o sorriso
Erê! Seu Inácio
Canga de bois
Pintura e Ouro Preto
Telelém… Telelém…
anonimo disse em 19 de Janeiro de 2009 às 11:56 am:
Povo da Lua
Do alto da morraria
Acenam os encantados
Nas faces brilhando ouro
De muita beleza ornadas
Erê! Povo da Lua
De feições enluaradas
Conjuminando alegria
Com o fim dessa jornada
Telelém… Telelém…

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