Ilha dos Lençóis (MA)

21/01/2009

Partimos com o sol nascendo rumo `as terras dos filhos do rei Sebastião. Assim gostam de ser chamados os habitantes da Ilha, que foram conhecidos durante muito tempo pelo nome de Povo da Lua. Devido ao grande número de albinos, só saiam de casa `a noite. Chegamos depois de 2 horas com o barco de seu Mário.
Conhecemos Hélio e Marluce, que nos hospedaram em sua casa.
Compramos comida pro almoço e fomos conhecer a praia que era longe demais para pés em dunas escaldantes. Maria do Amparo, uma criança de 11 anos nos amparou. Apareceu para nos mostrar o melhor caminho naquela hora do sol quente.

Fizemos palhaçadas no fim da tarde.Teve estória de Rei Sebastião, de navegar, de lavar os pés e mãos em areia…

Acordamos `as 4 da manhã e por incrível que pareça tinha um bolo de chocolate com café coado na hora nos esperando. Fomos todos para as dunas. Hélio nos mostrou o caminho. Infelizmente o dia começou nublado e não pudemos trabalhar, mas assistimos o dia clarear bonito, mostrando a vila. Fomos para a praia, descobrimos o caminho pelo mangue que é bem mais fácil… almoçamos nosso bom e velho: arroz, feijão, peixe e dormimos na hora em que nenhuma alma em boas condições sai de casa por causa do calor.
De tarde, com o sol mais fresco fomos fazer o filminho acompanhado de muitas crianças.

Conversei muito com Marluce e Rosa, sua irmã que dança Tambor de Mina e conhece muitas estórias do boi Turino e do cavaleiro que aparece em noites enluaradas. Ela me contou que antigamente muita gente via essas figuras no alto da morraria, como chamam as dunas aqui. Mas os médiuns dizem que o encantado foi morar em outra comunidade porque aqui já está muito movimentado. Antigamente encontravam peças em ouro debaixo da terra e o morro que treme tremia todo dia. Hoje somente em luas cheias. De tarde fomos conhecer o ninhal dos guarás. Haviam milhares deles.
Filminho de manhã, emendado com praia. Fizemos uma grande mesa no quintal para comemorar a passagem do ano. Compramos o peixe no bar do Mucura e fizemos assado para todos da casa

O pessoal da ala da cerveja só chegou hoje de manhã ainda eletrizados e empolgados contando sobre a dupla de palhaços que conheceram: era o Mucura e o pescador que trabalha pra ele, chamado Trim, figura de baixa estatura, albino, que encontrava-se embriagado e queria que alguém pagasse mais uma cerveja.
_ Os dois deram um show de jogo entre Branco e Augusto, chegaram contando.
Segundo o Fernando:
_ Essa foi uma noite conjuminante.
Foi a primeira vez que ouvi essa palavra na minha vida!
De tarde saímos de palhaço. Ouvi um diálogo entre suas menininhas quando visitamos a casa da anã. Uma delas me falou:
_ Ei, ela é anã!
_Ei, não fala assim que sua avó também é anã.
_ Não é não. Ela só é baixinha, mas tem as pernas e as mãos boas, viu?

Amanhecemos fazendo o filminho e entardecemos com a apresentação do espetáculo. O sol se pondo e toda a comunidade presente, mesmo de longe observar. Foi emocionante a palhaçada. Nunca vi esses nossos companheiros palhaços tão felizes como hoje. Terminamos todos imundos, exaustos e felizes da vida.

Acordamos `as 5 da manhã, arrumamos tudo, tomamos café e, depois da despedida onde Marluce pediu pra eu voltar um dia, partimos. Hélio foi até a praia e acenou a despedida até nos perder de vista. Olhei Luciana. Ela estava com os olhos lagrimados. Fizemos o caminho de volta: barco, taxi, van e ferry-boat. Chegamos de noite ao bom e velho Beco da Bosta.

2 pessoas fizeram comentários

Cleia - Gravatar

Cleia disse em 21 de Janeiro de 2009 às 5:31 pm:

“…imundos, exaustos e felizes da vida.”

Lendo,lendo,relendo…aos poucos as palvras se ampliam,mostram as coisas quase que como se fotografias fossem.

Lendo,lendo…se amplia o que vocês escreveram em 10/06/06, no Ceará: “os espaços públicos viraram a nossa casa.e as pessoas com suas histórias,nosso maior interesse.As coisas nos afetam profundamente.(Boca Larga,nºII,pág.75)”

…Faz sentido.

Carlos R Ribeiro - Gravatar

Carlos R Ribeiro disse em 21 de Maro de 2009 às 4:38 pm:

Tambem, estive na ilha em 2007. Fiuei na casa de Marluce. Quem me guiou por toda a redondeza foi Laisom. Gostaria de saber como la´está, pois voltarei para terminar meu trabalho fotografico em maio.fique sabendo do funcionamento do gerador Heolíco.Conteme sobre o ninhal, quem os levou. Grato, espero respostas.

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