fins
Chegamos ao fim da segunda viagem de Las Cabaças que teve duração de 10 meses (de abril/2008 à fevereiro/2009), percorrendo os estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão.
Nesse projeto contamos com a parceria de Frederico Galante e Rodrigo Luz, que muito nos ajudaram a pensar, questionar, registrar e viver essa experiência. Aqui vai nosso agradecimento ao sim que disseram, quando foram convidados a vir conosco.
Agradecemos também a todos que nos apoiaram, hospedaram, transportaram, alimentaram, visitaram, inspiraram e acrescentaram valores a nossa jornada, especialmente ao Anônimo/Telelém…
Aos Doutores da Alegria que apoiaram financeira e ideologicamente essa idéia.
Sugerimos aos navegantes que comecem a ler e assistir esse registro de trás para frente, ou melhor, pelo início, no Acre.
Do Acre ao Maranhão, esse Brasil acaba não!
Qual a razão desse viajar? Somos palhaças numa busca incessante por encontros. Encontros com as pessoas que moram nesse mundo e que têm diversas formas e maneiras de viver. Conhecemos novas palavras, aliás, já faz alguns anos que procuramos por elas. Temos ânsia por novas palavras, por novos gestos, na verdade não há novidade nisso. As palavras sempre estiveram aí, assim como os gestos de cada lugar. Nós é que estivemos por muito tempo num mesmo lugar. Quando você se movimenta e caminha para novas terras, as palavras te fisgam, novos gestos se mostram . Quantas palavras existem nesse imenso Brasil… Não as conhecíamos e nem elas a nós.
Conhecer o Brasil assim, além dos noticiários de TV, tem outra profundidade. Ouvir as estórias, dar risada junto com esse povo e se entristecer também. O Brasil é muita coisa e acho difícil entendê-lo. Pois é bonito e feio, cruel e poético, mágico e sombrio. É muita contradição, tal como nós.
Nas terras paulistas nos conhecemos e descobrimos que tínhamos o mesmo desejo de reconhecer o Brasil de dentro. Juntas, tínhamos a inquietação, a vontade de construir um caminho irreal por esse Brasil real. Em 2006 partimos para nossa primeira viagem e agora chegamos ao fim de nossa segunda jornada percorrendo alguns lugares desta vasta Amazônia. Somos palhaças e nos interessa inverter a realidade, para isso tínhamos que conhecê-la. Assim seguimos na nossa busca incessante por encontrar.
Bifi e Quinan encerram aqui sua segunda viagem. Para onde irão agora?
_ Ei Quinan, preciso continuar…
_ Mas, Bifi… Agora eu prefiro ficar aqui mesmo.
_ Então me espere aqui, que eu volto. Pois antes eu ainda preciso descobrir.
_ O quê?
_ Ora… Onde nascem as palavras.
_ Bifi, eu prefiro ficar aqui. Aqui vai nascer uma nova palavra.
_ Mas e lá?
_ Então, vá…
_ Vou. E, quando encontrar minha nova palavra, volto.
_ Você vai mesmo?
_Vou. Preciso encontrá-la. Farei de tudo para isso. Adeus Quinan…
_ Adeus Bifi, volte para o nascimento da palavrinha.
_ As palavras nascem?
_ Ora Bifi, isso eu já conheço de trás pra frente. Vá! Coragem!
_ Sim, irei. Fique Quinan! Coragem!
Andamos por céu, terra, rio, mar, areia, lama, ponte…
Comemos macaxeira, tapioca, murici, gujiru, ingá, farinha…
Tomamos caxiri, açaí, água de rio, de poço…
Dormimos em rede
Em casa de taipa, de barro, de madeira, de cimento, ao relento…
Banhamos no rio, de cuia…
Palhaças e encontros…
O caminhar se fez assim…
É sempre presente.
A cabaça agora se encheu de palavras
Memórias
Sentimentos
Existe um rio dentro dela
Que veio a tona
E quer transbordar
Escorre de dentro da cabaça tudo que há nela.
_ Quinan, chegamos ao fim?
_O fim chega? Agora não é o começo?
_ Então o fim ficou para trás?
_ Atrás? O que é que tem?
_ Teve tanta coisa… Do Acre ao Maranhão…
_ E agora? Pra onde?
_ Continuar.
_ Então, vamos remar…
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3 pessoas fizeram comentários
‘o senhor vá, alguma coisa ainda encontra’ disse em 25 de Janeiro de 2009 às 9:58 pm:
conheci meio sem jeito por acaso esse jeito de olhar e viver de vocês. conheci de conhecer de longe e logo me coloquei no meio da travessia que é de vocês e de quem quiser. estou na busca de onde nascem as palavras também… a gente ainda encontra.
anonimo disse em 26 de Janeiro de 2009 às 9:52 am:
“quantas palavras existem nesse imenso Brasil…
não as conhecíamos e nem elas nos conheciam…”
saber onde é o fim / aonde está o começo / contar para que vim / bater em seu endereço
saber, eu/? / também não sei não…
olhei e vi no caminho / alguém andando pra lá / não vi lonjura em nada / então, junto, comecei a andar / espalhando as palavras / e os gestos de cada lugar
os rastros que fui recolhendo / pregados em cada estrada / me ensinaram que em si / continham toda jornada
o fim é como começo / quando se quer encontrar / o que não esta perdido / mas disposto no lugar
palavras nascem assim / aqui, ali e acolá / invertidas, misturadas / esperando quem pegar / bonitas, feias / cruéis ou poéticas / esperando quem usar / em cada profundidade / ou quando for precisar
conhecer, reconhecer / aprender nesse caminho real / no instante que é um disfarce / desse País irreal / mágico e sombrio / que faz rir e entristecer / quando vemos em outras maneiras / também formas de viver
ensaiar cada palavra / desse imenso Brasil / caminhar novas terras / se entrelaçando ao sutil / da vida de sua historia / e de quem a construiu
de lavra / entrego as palavras que vocês encontraram ou reencontraram / amazônicas, nordestinas, brasileiras / anônimas e amorosas / separadas ou misturadas / palavras com rios e pessoas dentro / com caminhos e transbordamentos / com imagens e belezas / fincadas em vidas anônimas pelo Brasil adentro / erê! telelém…
erê! Frederico Galante
erê! Rodrigo Luz
telelém… telelém…
erê! Juliana Balsalobre
erê! Marina Quinan
telelém… telelém…
erê! telelém…
o jabuti tá na porta / telelém… telelém…
o jabuti quer entrar / telelém… telelém…
se o lugar não comporta
não adianta chamar
o jabuti faz a volta
mora em todo lugar
telelém… telelém… telelém… telelém… telelém
o urubu tá na porta / telelém… telelém…
o urubu quer entrar / telelém… telelém…
se o lugar não comporta…
não adianta gritar
o urubu faz a volta
voa pra outro lugar
telelém… telelém… telelém… telelém… telelém
o peixe-boi tá na porta / telelém… telelém…
o peixe-boi quer entrar / telelém… telelém…
se o lugar não comporta
não adianta esbarrar
o peixe-boi faz a volta
nada pra outro lugar
telelém… telelém… telelém… telelém… telelém
o Brasil tá na porta / telelém, telelém…
o Brasil quer entrar / telelém, telelém…
é o seu povo que importa
não adianta esperar
olha bem a sua volta
e põe o Brasil no lugar
telelém… telelém… telelém… telelém… telelém
anônimo – fevereiro de 2009
Luciana Silva disse em 11 de Fevereiro de 2009 às 5:13 pm:
A Palavra Certa
Composição: George Israel/paula Toller/herbert Vianna
Atravesso a noite com um verso
Que não se resolve
Na outra mão as flores
Como se flores bastassem
Eu espero
E espero
Não funcionam luzes, telefones
Nada se resolve
Trens parados, carros enguiçados
Aviões no pátio esperam
E esperam
A chave que abre o céu
D´aonde caem as palavras
A palavra certa
Que faça o mundo andar

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