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	<title>Las Cabaças</title>
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	<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 08:33:58 +0000</pubDate>
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		<title>fins</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 23:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegamos ao fim da segunda viagem de Las Cabaças que teve duração de 10 meses (de abril/2008 à fevereiro/2009),  percorrendo  os estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão.
Nesse projeto contamos com a parceria de Frederico Galante e Rodrigo Luz, que muito nos ajudaram a pensar, questionar, registrar e viver essa experiência. Aqui vai nosso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegamos ao fim da segunda viagem de Las Cabaças que teve duração de 10 meses (de abril/2008 à fevereiro/2009),  percorrendo  os estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão.<br />
Nesse projeto contamos com a parceria de Frederico Galante e Rodrigo Luz, que muito nos ajudaram a pensar, questionar, registrar e viver essa experiência. Aqui vai nosso agradecimento ao sim que disseram, quando foram convidados a vir conosco.<br />
Agradecemos também a todos que nos apoiaram, hospedaram, transportaram, alimentaram, visitaram, inspiraram e acrescentaram valores a nossa jornada, especialmente ao Anônimo/Telelém&#8230;<br />
Aos Doutores da Alegria que apoiaram financeira e ideologicamente essa idéia.<br />
Sugerimos aos navegantes que comecem a ler e assistir esse registro de trás para frente, ou melhor, pelo início, no Acre.</p>
<p>Do Acre ao Maranhão, esse Brasil acaba não!</p>
<p>Qual a razão desse viajar? Somos palhaças numa busca incessante por encontros. Encontros com as pessoas que moram nesse mundo e que têm diversas formas e maneiras de viver. Conhecemos novas palavras, aliás, já faz alguns anos que procuramos por elas. Temos ânsia por novas palavras, por novos gestos, na verdade não há novidade nisso.  As palavras sempre estiveram aí, assim como os gestos de cada lugar. Nós é que estivemos por muito tempo num mesmo lugar. Quando você se movimenta e caminha para novas terras, as palavras te fisgam, novos gestos se mostram . Quantas palavras existem nesse imenso Brasil&#8230; Não as conhecíamos e nem elas a nós.<br />
Conhecer o Brasil assim, além dos noticiários de TV, tem outra profundidade. Ouvir as estórias, dar risada junto com esse povo e se entristecer também. O Brasil é muita coisa e acho difícil entendê-lo. Pois é bonito e feio, cruel e poético, mágico e sombrio. É muita contradição, tal como nós.<br />
Nas terras paulistas nos conhecemos e descobrimos que tínhamos o mesmo desejo de reconhecer  o Brasil de dentro.  Juntas, tínhamos a inquietação, a vontade de construir um caminho irreal por esse Brasil real. Em 2006 partimos para nossa primeira viagem e agora chegamos ao fim de nossa segunda jornada percorrendo alguns lugares desta vasta Amazônia.  Somos palhaças e nos interessa inverter a realidade, para isso tínhamos que conhecê-la. Assim seguimos na nossa busca incessante por encontrar.</p>
<p>Bifi e Quinan encerram aqui sua segunda viagem. Para onde irão agora?</p>
<p><em>_ Ei Quinan, preciso continuar&#8230;<br />
_ Mas, Bifi&#8230; Agora eu prefiro ficar aqui mesmo.<br />
_ Então me espere aqui, que eu volto. Pois antes eu ainda preciso descobrir.<br />
_ O quê?<br />
_ Ora&#8230; Onde nascem as palavras.<br />
_  Bifi, eu prefiro ficar aqui. Aqui vai nascer uma nova palavra.<br />
_ Mas e lá?<br />
_ Então, vá&#8230;<br />
_ Vou. E, quando encontrar minha nova palavra, volto.<br />
_ Você vai mesmo?<br />
_Vou. Preciso encontrá-la. Farei de tudo para isso. Adeus Quinan&#8230;<br />
_ Adeus Bifi, volte para o nascimento da palavrinha.<br />
_ As palavras nascem?<br />
_ Ora Bifi, isso eu já conheço de trás pra frente. Vá! Coragem!<br />
_ Sim, irei. Fique Quinan! Coragem!</em></p>
<p>Andamos por céu, terra, rio, mar, areia, lama, ponte&#8230;<br />
Comemos macaxeira, tapioca, murici, gujiru, ingá, farinha&#8230;<br />
Tomamos caxiri, açaí, água de rio, de poço&#8230;<br />
Dormimos em rede<br />
Em casa de taipa, de barro, de madeira, de cimento, ao relento&#8230;<br />
Banhamos no rio, de cuia&#8230;<br />
Palhaças e encontros&#8230;<br />
O caminhar se fez assim&#8230;<br />
É sempre presente.<br />
A cabaça agora se encheu de palavras<br />
Memórias<br />
Sentimentos<br />
Existe um rio dentro dela<br />
Que veio a tona<br />
E quer transbordar<br />
Escorre de dentro da cabaça tudo que há nela.</p>
<p><em>_ Quinan, chegamos ao fim?<br />
_O fim chega?  Agora não é o começo?<br />
_ Então o fim ficou para trás?<br />
_ Atrás? O que é que tem?<br />
_ Teve tanta coisa&#8230; Do Acre ao Maranhão&#8230;<br />
_ E agora?  Pra onde?<br />
_ Continuar.<br />
_ Então, vamos remar&#8230;</em></p>
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		<title>acasos</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 22:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><object type="application/x-shockwave-flash" style="width:425px; height:355px;" data="http://www.youtube.com/v/0xIdpZxQzC8&amp;rel=0&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0xIdpZxQzC8&amp;rel=0&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0" /></object></p>
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		<title>seguir</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 12:57:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object type="application/x-shockwave-flash" style="width:425px; height:355px;" data="http://www.youtube.com/v/_T9yjMJ6c5g&amp;rel=0&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_T9yjMJ6c5g&amp;rel=0&amp;color1=0xd6d6d6&amp;color2=0xf0f0f0" /></object></p>
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		<title>por Davi Taiu</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 12:55:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<description><![CDATA[_ Ei moço, será que eu posso ir ajudar? Ele é tão burro!!
Tenho pensado muito desde que voltei do Maranhão e não consigo me decidir a quem agradecer por tão mágica experiência. 
Rei Sebastião? Encantado da ilha dos lençóis, que não permite que ninguém saia da ilha levando qualquer coisa que seja, exceto naturalmente a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Ei moço, será que eu posso ir ajudar? Ele é tão burro!!</em></p>
<p class="EC_MsoNormal">Tenho pensado muito desde que voltei do Maranhão e não consigo me decidir a quem agradecer por tão mágica experiência.<span> </span></p>
<p class="EC_MsoNormal">Rei Sebastião? Encantado da ilha dos lençóis, que não permite que ninguém saia da ilha levando qualquer coisa que seja, exceto naturalmente a lembrança do olhar penetrante de seus moradores e o coração transbordante de emoção de poder presenciar tanta beleza.<span> </span>Dona Duzinha que permite que tiremos fotos ao seu lado.</p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Por educação, essa coisa de fotografia, é coisa que eu não gosto!</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><span> </span>A menina que me pergunta:</p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Você é Dadúvida. E quando não está brincando você é o que?</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><span></span>Ao meu parceiro De Derson que eu vi com tanta transparência, que passo agora a entender as nuvens somente como presságios de chuva</p>
<p class="EC_MsoNormal"><span></span>`A possibilidade de existir o diálogo:</p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Que dia é hoje?</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Entre vinte e vinte e quatro.</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Da semana?</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Nem idéia!</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Que horas serão?</em></p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Pela altura do sol, umas três da tarde. </em></p>
<p class="EC_MsoNormal">Ao Baião de Princesa da casa Fanti que me alegro só de me lembrar!</p>
<p class="EC_MsoNormal">Aos meus mais novos Mestres Marina, Juliana, Fred e Digo, que de tanta coragem, generosidade, talento e inquietação explodem em vida por lugares que dão um sentido extraordinário a arte do palhaço, que me fizeram encontrar verdadeiramente razão para continuar essa busca, sendo num carro de boi, num hospital, num Igarapé, num deserto ou em alto mar.</p>
<p class="EC_MsoNormal"> E digo a criança que quis me ajudar por eu ser tão burro:</p>
<p class="EC_MsoNormal"><em>_ Sim pode ajudar!</em></p>
<p class="EC_MsoNormal">&nbsp;</p>
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		<title>Ilha dos Lençóis (MA)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 12:51:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<description><![CDATA[Partimos com o sol nascendo rumo `as terras dos filhos do rei Sebastião. Assim gostam de ser chamados os habitantes da Ilha, que foram conhecidos durante muito tempo pelo nome de Povo da Lua. Devido ao grande número de albinos, só saiam de casa `a noite. Chegamos depois de 2 horas com o barco de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Partimos com o sol nascendo rumo `as terras dos filhos do rei Sebastião. Assim gostam de ser chamados os habitantes da Ilha, que foram conhecidos durante muito tempo pelo nome de Povo da Lua. Devido ao grande número de albinos, só saiam de casa `a noite. Chegamos depois de 2 horas com o barco de seu Mário.<br />
Conhecemos Hélio e Marluce, que nos hospedaram em sua casa.<br />
Compramos comida pro almoço e fomos conhecer a praia que era longe demais para pés em dunas escaldantes. Maria do Amparo, uma criança de 11 anos nos amparou. Apareceu para nos mostrar o melhor caminho naquela hora do sol quente.</p>
<p>Fizemos palhaçadas no fim da tarde.Teve estória de Rei Sebastião, de navegar, de lavar os pés e mãos em areia&#8230;</p>
<p>Acordamos `as 4 da manhã e por incrível que pareça tinha um bolo de chocolate com café coado na hora nos esperando. Fomos todos para as dunas. Hélio nos mostrou o caminho. Infelizmente o dia começou nublado e não pudemos trabalhar, mas assistimos o dia clarear bonito, mostrando a vila. Fomos para a praia, descobrimos o caminho pelo mangue que é bem mais fácil&#8230; almoçamos nosso bom e velho: arroz, feijão, peixe e dormimos na hora em que nenhuma alma em boas condições sai de casa por causa do calor.<br />
De tarde, com o sol mais fresco fomos fazer o filminho acompanhado de muitas crianças.</p>
<p>Conversei muito com Marluce e Rosa, sua irmã que dança Tambor de Mina e conhece muitas estórias do boi Turino e do cavaleiro que aparece em noites enluaradas. Ela me contou que antigamente muita gente via essas figuras no alto da morraria, como chamam as dunas aqui. Mas os médiuns dizem que o encantado foi morar em outra comunidade porque aqui já está muito movimentado. Antigamente encontravam peças em ouro debaixo da terra e o morro que treme tremia todo dia. Hoje somente em luas cheias. De tarde fomos conhecer o ninhal dos guarás. Haviam milhares deles.<br />
Filminho de manhã, emendado com praia. Fizemos uma grande mesa no quintal para comemorar a passagem do ano. Compramos o peixe no bar do Mucura e fizemos assado para todos da casa</p>
<p>O pessoal da ala da cerveja só chegou hoje de manhã ainda eletrizados e empolgados contando sobre a dupla de palhaços que conheceram: era o Mucura e o pescador que trabalha pra ele, chamado Trim, figura de baixa estatura, albino, que encontrava-se embriagado e queria que alguém pagasse mais uma cerveja.<br />
<em>_ Os dois deram um show de jogo entre Branco e Augusto, </em>chegaram contando.<br />
Segundo o Fernando:<br />
<em>_ Essa foi uma noite conjuminante.</em><br />
Foi a primeira vez que ouvi essa palavra na minha vida!<br />
De tarde saímos de palhaço. Ouvi um diálogo entre suas menininhas quando visitamos a casa da anã. Uma delas me falou:<br />
<em>_ Ei, ela é anã!<br />
_Ei, não fala assim que sua avó também é anã.<br />
_ Não é não. Ela só é baixinha, mas tem as pernas e as mãos boas, viu?</em></p>
<p>Amanhecemos fazendo o filminho e entardecemos com a apresentação do espetáculo. O sol se pondo e toda a comunidade presente, mesmo de longe observar. Foi emocionante a palhaçada. Nunca vi esses nossos companheiros palhaços tão felizes como hoje. Terminamos todos imundos, exaustos e felizes da vida.</p>
<p>Acordamos `as 5 da manhã, arrumamos tudo, tomamos café e, depois da despedida onde Marluce pediu pra eu voltar um dia, partimos. Hélio foi até a praia e acenou a despedida até nos perder de vista. Olhei Luciana. Ela estava com os olhos lagrimados. Fizemos o caminho de volta: barco, taxi, van e ferry-boat. Chegamos de noite ao bom e velho Beco da Bosta.</p>
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		<title>Frechal (MA)</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 15:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebemos em S.Luis nossos parceiros Anderson Spada, Davi Taiu, Fernando Paz e  Luciana Viacava, respectivamente os palhaços De Dérson, Dadúvida, Montanha e Lola Brígida. Vieram caminhando pelo Beco da Bosta, felizes da vida. Saímos correndo para saudá-los. Ficarão conosco durante 40 dias, somando a palhaçaria.
Apresentamos nosso novo espetáculo, que demos o nome de Zuada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebemos em S.Luis nossos parceiros Anderson Spada, Davi Taiu, Fernando Paz e  Luciana Viacava, respectivamente os palhaços De Dérson, Dadúvida, Montanha e Lola Brígida. Vieram caminhando pelo Beco da Bosta, felizes da vida. Saímos correndo para saudá-los. Ficarão conosco durante 40 dias, somando a palhaçaria.</p>
<p>Apresentamos nosso novo espetáculo, que demos o nome de Zuada de Palhaços, na sede do Boi de Floresta de Apolônio. Fizemos um cortejo muito animado no bairro para convidar as pessoas. Lola voando com seu guarda chuva em aparições curtas, os meninos com seus chapéus que lhes renderam duas cenas, e nós com a boa e velha pulga Elvis&#8230; Aproveitamos para fazer todos juntos a gag que aprendemos com o Pimentinha em Santarém, chamada A Égua Relâmpago<br />
De noite fomos na festa de Baião de Princesa na casa Fanti-Ashanti em homenagem `a  Santa Luzia. Assim que chegamos fomos conduzidos para algo muito leve e alegre pelas entidades-crianças-princesas que ali estavam a girar, a encantar. Pai Euclides regia a festa cantando, sentado como um leão a observar seus filhos.</p>
<p>Chegamos no Frechal `as 11:30hs. Encontramos no casarão Jorge, que cuidava junto com outras mulheres do almoço dos 51 alunos da nova escola agrotécnica do governo federal que o casarão está abrigando. São 15 dias de aulas ininterruptas e 15 dias de descanso em que vão pra casa.<br />
Cumprimentamos D.Duzinha que estava alegre como eu nunca vira antes. Disse que havia pensado na gente semana passada, sem saber que vínhamos.<br />
Tomamos banho no igarapé Cacete de Inácio, jantamos e voltamos pra casa de Duzinha pra conversar. Ela disse:<br />
<em>_ Já é a terceira vez que vocês vem. Já estão morando aqui e não sabem.</em><br />
O Frechal está diferente. O governo construiu muitas casas de alvenaria e telhado de amianto, com banheiro dentro, dois quartos, sala e cozinha. Todos que se inscreveram, ganharam a sua. Os rapazes solteiros já tem moradia própria.<br />
<em>_ Agora só falta a mulher,</em> disse Jorge.<br />
Ficaremos hospedados na casa nova de Jonas que está pra S. Luis mas fez questão que ficássemos lá. D. Jovina, mãe de Jonas, nos esperava com um abraço saudoso de boas vindas. Raul cresceu muito, está com 5 anos e os cabelos rastafári.</p>
<p>De manhã, depois de um belo café fomos pro rio nadar e fazer nosso treinamento todos juntos. Almoçamos e saímos para as palhaçadas os 5 palhaços.<br />
Dadúvida começou me levando num pequeno carrinho de boi, brinquedo feito por Lúcio para seus netos. Com o cortejo musical íamos de um lugar `a outro. O carro de boi de tamanho verdadeiro virou o arame de equilíbrio para encontrar as moças que ali estavam.<br />
<em>_Cuidado Quinan, isso pode ser perigoso!<br />
_ Bifi, sempre é perigoso!</em><br />
Dadúvida e Dedérson brigaram pela e com a cadeira imaginária, Lola chorou espirrando água e as crianças gostaram muito disso. Terminamos as palhaçadas de noite.</p>
<p><em>Como uma flecha nós cheguemos no Frechal,<br />
Aqui fomos bem recebidos por Bié e seus iguaus.</em></p>
<p>De tarde Raul apareceu por aqui, queria que Lola chorasse água nele. Ela disse que só chorava quando se emocionava. Ele então perguntou:<br />
<em>_ Você chora ni caminhão?<br />
_ Você chora ni trator?</em><br />
A brincadeira foi falar todos os lugares ni qui Lola pudesse se emocionar e chorar.<br />
De noite, na fogueira começamos a ouvir uns gritinhos Uúú, Êaa vindos do mato. Eram as crianças chegando pra cantar junto. Anderson puxou a música inventada por ele e Davi. &#8220;Se errar é humano, acertar é o quê?&#8221;<br />
Fizemos uma rodada para cada um responder, depois ficamos versando nessa melodia até o sono chegar. Revimos nessa noite Dani e Ivomara, que eram crianças e agora são duas moças formadas.<br />
Que noite boa.<br />
Fomos na casa de farinha. A mandioca estava de molho para ser descascada, todos trabalhando juntos, conversando. Nos acocoramos ali mesmo para participar.<br />
O cheiro azedo forte, as mãos negras brancas com o caldo, o bezerro teimoso que enfiava a cara no cofo pra comer as cascas, um por um tentava espantá-lo, mas ele voltava &#8230; a satisfação dos mais velhos em saber que voltamos com outros palhaços para novas brincadeiras &#8230; as crianças sempre em volta.<br />
Fomos até o rio Uru que, segundo Duzinha, em cada trecho tem um apelido diferente.<br />
<em>_ Aqui esse um é chamado de Pontinha. Tinha até uma ponte bem aí </em>(apontava com  a boca),<em> mas ela caiu.</em><br />
Ela esteve sentada na sombra da árvore durante todo o tempo do banho, quis saber muitas perguntas sobre nós e os novos companheiros, quem era marido de quem, como era o nome de cada um, quem tinha filhos&#8230; disse que toda mulher tinha que ter filho.<br />
_<em> Aqui no Frechal tem alguma que não teve filhos?<br />
_ Hum. É preciso procurar com uma lamparina alguma mulher que não pariu aqui.</em><br />
Toda concordância ela pontuava num tom abaixo, mais grave:<br />
_<em> Justo. Hê hêm. </em></p>
<p>Fomos no quilombo de Damásio onde fizemos uma intervenção surrealista, com cada palhaço surgindo de um lugar, sem nada avisar. Foi uma ótima experiência, no começo todos ficaram desconfiados. Ouvi algumas frases:<br />
<em>_ Ê, olha lá praquilo ali. Que doidêra é essa? Tem mais um ali, olha lá.</em><br />
Íamos nos encontrando aos poucos com os outros palhaços, como quem reconhece um parente distante. No final juntou muita gente pra olhar, a mulher esqueceu o arroz no fogo que queimou e virou o tema da cena&#8230; foi bem divertido e os meninos adoraram a nova experiência.</p>
<p>Nos mudamos para o casarão. Varremos, faxinamos, limpamos. Cada um escolheu onde ia dormir. Nossa palhaçada hoje foi feita em cima de um carro de boi guiado por Pintura e Ouro Preto. Passamos de casa em casa fazendo um convite cantado:</p>
<p><em>na quinta feira vou fazer uma festa,<br />
vai ser lá dentro do casarão,<br />
vai ter zuada, coisa engraçada,<br />
e a tristeza não mora lá não.</p>
<p>vamos chegar José,<br />
vamos chegar João,<br />
vamos chegar Maria,<br />
vamos chegar, meu irmão</p>
<p>dia 25, dia de natal<br />
`as sete horas, ao anoitecer<br />
a palhaçada vai correr geral,<br />
peça a suas pernas pra levar você</p>
<p>vamos chegar Tatá,<br />
vamos chegar Tetê,<br />
vamos chegar Raul,<br />
vamos chegar você.<br />
</em><br />
Preparamos a comida para a ceia de Natal (arroz, lentilha, peixe e brigadeiro de sobremesa). Duzinha e Jonas comeram conosco. Ela trouxe um cajado fabricado por ela mesma, com luzes. Representou nossa árvore natalina.</p>
<p>Passamos o dia preparando o casarão  para a apresentação. Varremos, passamos pano, ensaiamos o espetáculo com 10 cenas, fizemos pipoca para o público. O povo foi chegando aos poucos e a banda ia se aquecendo junto com a chegada dos que vinham depois. A apresentação foi emocionante. Fizemos o retorno de Élvis que chegou num barquinho de papel. Terminamos a noite mostrando o vídeo de 2006 onde eles se viram. Tomamos banho no rio e dormimos. Feliz Natal.</p>
<p><em>escute aqui lindo Frechal<br />
agradecemos vocês<br />
por nos ter bem recebido<br />
até outro dia, até mais ver&#8230;</em></p>
<p>Duzinha disse que os meninos gostaram muito do espetáculo. Que era só a gente aparecer que eles acendiam o sorriso.</p>
<p>Hoje amanheceu chovendo.Despedimo-nos de D.Duzinha, seu Bié, Jovina, Jorge, Jonas&#8230;</p>
<p>De Mirinzal pegamos o ônibus pra Cururupu onde ficamos o tempo de almoçar e depois pegamos uma van até Apicum-Açu. O caminho era cheio de buritis, açaizeiros, casas de tapera, um areião&#8230; crianças brincando.</p>
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		<title>Frechal (MA) e Ilha dos Lençois (MA)</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 14:52:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<title>a égua relâmpago</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 11:32:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<title>Cabaceiras (MA)</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 01:46:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Palhaças Amazônia Adentro - 2008]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheci S. José do Ribamar por 15 minutos, foi o tempo de encontrar o cais. Bonita a praça em homenagem à S. José que está &#8220;arriba do mar&#8221;. Entramos no barco às 17:00hs e ficamos esperando a maré subir. Atamos nossas redes .Claudete conhece muito bem a região, contou da ilha do Gapó, um lugar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conheci S. José do Ribamar por 15 minutos, foi o tempo de encontrar o cais. Bonita a praça em homenagem à S. José que está &#8220;arriba do mar&#8221;. Entramos no barco às 17:00hs e ficamos esperando a maré subir. Atamos nossas redes .Claudete conhece muito bem a região, contou da ilha do Gapó, um lugar de encantados , que todos que dormiram lá voltaram com enjôo ou febre&#8230; onde tem um touro encantado (Boi Turino) que é a encarnação do rei Sebastião. Ele anda com uma enorme corrente e quem pegar nela é levado para o fundo do mar.Igual na ilha de Lençóis: dizem que de lá ninguém pode levar nada, nem uma pedra ou punhado de areia, senão o barco não desatraca.</p>
<p>Estamos agora no barco Rio Jordão, atravessaremos 3 baias: de S. José, de Sarnambi e Tubarão.</p>
<p>Chegamos com o dia amanhecendo.</p>
<p>Logo apareceu seu Dá, apelido de Adail, no casquinho (como é chamada a canoa aqui) que nos conduziu pelo rio São Lucas à remo até a vila de Cabaceiras. Atracamos no pequeno cais, afundamos os pés na lama. Estamos no mangue.</p>
<p>Lá chegando, Dá nos levou à casa de Jocinho, filho de Zé Mariano. Ele estava na escola e nos recebeu, mas pediu pra falarmos com o pai dele que é quem comanda o lugar. Fomos.</p>
<p><em>_ Dá licença.</em></p>
<p><em>_ Pode ir entrando que a casa é nossa.</em></p>
<p>Depois dos cumprimentos, explicamos o que nos trouxe aqui. Ele:</p>
<p><em>_ Palhaçadas, é?</em></p>
<p><em>_ Sim. Viemos fazer nosso brinquedo de palhaço e viemos conhecer o senhor, pois disseram que é curador. </em></p>
<p>Ele riu que se encolhia e deixou escapar, reticente:</p>
<p><em>_ Esse nome é curioso: curador&#8230;</em> Riu de novo.</p>
<p><em> _ Mas curador aqui é Deus. O que tenho é o que chamam de dom. </em></p>
<p><em>Vim salvar terreiro, terreiro eu vim salvar. Vim salvar a Santa Bárbara e todos os orixás do mar.</em></p>
<p>Cabaceiras, um lugar.</p>
<p>Antigamente tinha muita cabaça lá.</p>
<p>José Mariano, um homem de força e fé.</p>
<p>Chegou nesse lugar há 30 anos.</p>
<p>Lá, nada não tinha. Apenas uma casinha.</p>
<p>O homem comprou e por lá ficou.</p>
<p>Por gosto, por destino.</p>
<p>Mais casas foram sendo feitas.</p>
<p>O lugar foi se habitando de gente.</p>
<p>Gente que acreditava na verdade de Mariano.</p>
<p>Gente que se curava pelas mãos de José.</p>
<p>Gente que se juntava ao Tambor de Mina de seu José Mariano, que como diz ele é uma escola.</p>
<p>Tem aluno dentro e tem aluno fora.</p>
<p>Gente que ia para brincar no boi de orquestra desse senhor.</p>
<p>Gente que participava da festa do Divino Espirito  Santo.</p>
<p>Dona Riba, Roberta, Evarista, Liandro, Domingas, Zezé, Lurdinha, Sonia&#8230;</p>
<p>O lugar se encheu de vida e de festa.</p>
<p>A galinha subiu no tonel de água limpa.  Roberta pediu:</p>
<p><em>_ Dá uma pata nela pra mim que ela já vai fazer pintura</em> (cagada).</p>
<p>Bifi e Quinan foram visitar Zé Mariano com o verso: <em>ô de casa, ô de fora, diga logo quem está aí&#8230;</em></p>
<p>Saudamos e pedimos conselhos para resolver o problema do chulé de Bifi. Ele ria aquele riso traquinado e acabou dando uma receita de verdade:</p>
<p><em>_ Passa mucunan com azeite de andiroba, lava o pé bem lavado e molha toda noite. Bota a água no vidro de desodorante e borrifa toda noite.</em></p>
<p>Bifi: <em>_ Mas quem é que vai molhar pra mim toda noite?</em></p>
<p>Mariano: <em>_ Você mesmo faz.</em></p>
<p>Bifi: <em>_ Mas dá uma preguiça.</em></p>
<p>Mariano (rindo): <em> _ Ahhhh, mas então não quer ficar boa!  </em></p>
<p>Gira  gira  no tambor.</p>
<p>Gira gira com ardor.</p>
<p>Gira gira pro encontro</p>
<p>Ai que quando gira parece que tudo clareia.</p>
<p>Mais quem é que tá girando?</p>
<p>Se a terra sempre gira e às vezes eu penso que tô parada?</p>
<p>Vou girar, vou girar, que uma hora eu vou chegar.</p>
<p><em>Cavaleiro na porta bateu, o Aruanda vai ver quem é.É São Jorge guerreiro, comandante da força e da fé.</em></p>
<p>Santa Bárbara já saudamos.</p>
<p>Agora a festa é para o Divino Espírito Santo.</p>
<p>As mulheres tocam caixa para o pombinho verdadeiro,</p>
<p>Os homens vão buscar os mastros, são três. Grandes troncos de madeira cuidadosamente pintados. Cada qual de um tamanho.</p>
<p>O mastro é benzido com uma vassorinha de planta e água benta por um casal.</p>
<p>É chegada a hora de levantar o mastro. As caixeiras tocam Oliveira.</p>
<p>Os homens levantam o mastro, a bandeirinha no alto balança com o vento.</p>
<p>Viva o Divino Espírito Santo!</p>
<p>Mais dois mastros são levantados, um na frente da igreja e o outro na frente da escola. No alto mais duas bandeirinhas que com o vento balançam. Uma tem o desenho do Divino e na outra uma coroa.</p>
<p>As caixeiras dançam ao redor do mastro, o menino Sebastião segura uma bandeira.</p>
<p>As caixeiras entram no terreiro e continuam cantando com suas belas vozes. <em>Alvorada nova, novas alvoradas&#8230;</em> Mariano está deitado na rede, pois suas pernas já não podem muito. Sua presença é essencial. Ele ouve.</p>
<p>Acordamos `as 4:30 da manhã com a chegada do trator. Chegamos em Cabaceiras de casquinho e partimos de trator, que nos levava pelo areal rumo à Humberto de Campos.</p>
<p>Hora em que eu ria internamente era quando o trator mudava de marcha na subida. Todo mundo num mesmo movimento, para frente e para trás, sonolentos.</p>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 12:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Las Cabaças</dc:creator>
		
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