sobre o projeto Brasil na Cabaça:
O Projeto Brasil na Cabaça foi realizado em 2006 pela dupla de palhaças Las Cabaças, com duração de 7 meses nas regiões Nordeste e Norte do Brasil. Uma viagem de pesquisa prática para encontro com palhaços e público de outras regiões, coletando e estudando gags, estórias, diferenças e semelhanças nas formas de atuação dos fazedores de palhaçadas, bem como a convivência com novas situações sócio-culturais.
Os relatos desse projeto também podem ser lidos na segunda edição do Caderno Boca Larga dos Doutores da Alegria.
Agradecemos à: Ana Maria Leis, Beatriz Sayad, David Reeks, Renata Meireles, Érika Moura, Flávio Tolezzani, Guiulia Mendonça, Izabel Franco, Marcelo Quinan, Bola, Gabriel Carmona, Gabriela Cordaro, Georgete Fadel, Cristiane Paoli-Quito, Meninas do Conto, Raul Barreto, Juliana Gontijo, Soraya Saide, João Miguel, Fábio e Ana Thomaz, Wellington Nogueira, Edson Lopes, Thais Ferrara, Morgana Masseti, Marco Dalpozzo, Rubens Amatto, Rafael Pellota, Luciano Bortolucci, Lais Fleury, Fofa, Folias D’Arte, Arthur Andrade, Casa Grande, Família Ponciano, Mariana Leis Balsalobre, Pricila Franco, Ana Paula, Lucimara Correia, Dulce e JoãoMenezes, Roseli Naves, Gorda, Magnólio, Fabinho, Rafael, Babi, Lica, Ricardo, Projeto Saúde e Alegria, Chantal, Fernanda, Diana, Maneco, Seluta, Norma, Emiliano, Luciana, Flor de Ouro, Pedrinho, D. Consu, palhaço Colorau, palhaço Trepinha e o Anônimo - telelém, telelém.
Agradecemos as comunidades:
Prainha, Jaguarari, Tauari, Nazaré, Taquara, Pini, Itapuama, Maguari, Jamaraquá, Suruacá e Marai - rio Tapajós (PA); Cachoeira do Aruã, Urucuriá, Pascoal e S.Pedro - rio Arapiuns (PA); Aritapera - rio Amazonas (PA); Quilombo de Frechal (MA) e nossa fiel companheira, Firula.
Dia 14/12/06 – São Paulo (SP)
Bem, queridos amigos e parceiros de viagem, chegamos em São Paulo e aqui finalizamos nossos diários. Felizmente, para nós, essa viagem ainda continua porque agora iniciaremos a construção do nosso espetáculo. O espetáculo que viemos buscar nesta viagem…
Para vocês que nos acompanharam e estiveram presentes, mesmo de longe, aqui vai nosso sincero abraço.
Para vocês que nos acolheram em vossas casas, aqui vai nosso profundo agradecimento pelo abrigo, afeto e troca humana que tanto nos enriqueceu.
Para aqueles que estão chegando agora e começarão a ler essa aventura, sugiro que inicie os diários pelo mês de maio, quando começamos.
Firula está feliz, chegou e foi reconhecendo os cheiros…
Dia 12/12/06 – São Paulo (SP)
Arrumamos as coisas, pegamos Firula (que passou estes dias na casa do irmão da Flávia em Santa Tereza), passamos na casa de Flávia para a despedida, mas só encontramos Alexandre. Despedimo-nos com um café quente e caloroso.
Seguimos.
Paramos em Campinas para assistir a apresentação da família Astley e conversamos com Joelma. Ficamos sabendo que não ganhamos o Carequinha… mas muitas famílias de circo ganharam e isso é bom.
Seguimos para SP. Chegamos às 22:30hs. A noite estava fresca e a cidade calma.
_ Por favor, pra onde fica a av. Pompéia?
(Só pra não perder o costume, pois essa pergunta nos acompanhou todo tempo).
Dia 11/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Ressaca e dia nublado. Mesmo assim passeamos no parque Lage e Jardim Botânico.
Dia 10/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Bom, hoje passamos novamente o dia todo assistindo palhaços. Minha bunda até ficou dolorida. O Biriba foi o sucesso do dia. Último dia do festival: festa de comemoração. Boa música e dançamos até amanhecer. Dei tanta risada com Lu Lopes e Flávia! Haja!
Léris veio me contar que amou o Inventário, que é um espetáculo lindo. Ele estava emocionado.
Dia 09/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
E eu sinto frio, acredita?
Acordamos, assistimos o belíssimo Inventário, almoçamos. Praça XV, festival, muita gente, muitas conversas, diversidades, discussões sobre palhaços… ai ai ai… não ando muito para intelectos.
Assistimos o mexicano Aziz Gual que fez um número com uma bolinha muito parecido com o Reticências. Adorei vê-lo, senti-me reconfortada, identifiquei-me.
Confesso que está difícil chegar na cidade grande. Percebo que meus referenciais mudaram e essa transformação é um caminho sem volta.
Dia 08/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Assistimos muitos trabalhos diversos durante o dia e à noite um belo encontro de La Mínima, Seres de Luz, Lume, Anônimos, Claudia Zuquerato e Léris Colombaione, que também assinou a direção da noite.
Essa viagem está chegando ao final e gostaria de encontrar uma conclusão clara para ela, mas não posso.
O que vimos?
O que vivemos?
O que se transformou?
Como estamos?
Assim seguimos: ainda mais perguntando do que respondendo.
O quê faz um palhaço? O quê causa sua presença?
Vivemos.
Seguimos.
Voltamos.
Ou continuamos?
Caminantes! Siempre!
Dia 07/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Sotigui dá uma frase para o grupo. Primeiro cada um fala o parágrafo todo, depois cada um fala apenas uma frase, e depois uma sílaba. Mas o som não pode se interromper nem perder a fluidez. São palavras africanas.
Ele é homem-palavra.
Assistimos a programação do festival e reencontramos tantos amigo queridos.
Reencontramo-nos com Alice e Nena. Essas duas figuras maravilhosas, de uma forma ou de outra, foram cúmplices desta viagem desde o começo. Que alegria vê-las hoje!
Dia 06/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Começamos hoje a oficina com Sotigui no Anjos do Picadeiro. Ele falou de ritmo, respiração, fez exercícios com palmas, pulso, disse que é muito difícil estar presente em cena e ser presente na vida, que é preciso entrar em contato com a energia das coisas, contou sobre o teatro na África, os Griots, clarear a visão… perguntou por quê palhaço usa nariz vermelho…
No curso contamos com a presença de Ismael, um Hotxuá (palhaço Kraho). Sotigui quis ouvi-lo contar sobre sua tradição.
O respeito e a beleza do encontro.
