Dia 04/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Andamos da Lagoa até à praia. Fomos com Firula que abalou Ipanema e depois ficou deitada embaixo do guarda-sol. Tomamos sol e nadamos no mar gelado. Flávia Reis veio nos buscar, fomos até sua casa, conhecemos Alexandre e conversamos muito sobre teatro, utilidade, inutilidade, produção, editais… palhaço…
Estamos voltando aos poucos e barrancos.
Dia 03/12/06 – Rio de Janeiro (RJ)
Visitamos a Basílica, a Romaria e partimos. No caminho ainda paramos em Santos Dumont para um rápido banho de cachoeira, passamos por Juiz de Fora, terra do Bretas e Três Rios, terra da Sheila.
Chegamos ao Rio de Janeiro, cidade maravilhosa e turbulenta. Morros, prédios, carros, sotaque. Viemos para a casa da Nana, antiga amiga que nos acolheu como família. Foi ótimo revê-la. Amanhã veremos o que faremos.
Dia 02/12/06 – Congonhas (MG)
Acordamos 8:30 e pé na tábua. Queremos chegar hoje à tempo de ver o festival. Assim que chegamos em BH fomos ao parque Municipal que é bem bonito, mas nada de festival! Perguntamos em todos os lugares possíveis, mas ninguém sabia informar. Bem… comemos aquela comidinha mineira e seguimos. Congonhas apareceu no caminho. Paramos para ver Aleijadinho. Ligamos para Nana, que nos hospedará em sua casa no RJ.
A viagem vai chegando ao fim.
Ou começo?
Dia 01/12/06 – Araxá (MG)
Estamos indo para BH. Soubemos que está havendo um festival de palhaços. Passaremos para ver. Chuva, chuva, buracos, arco-íris. Paramos em Ipameri, tomamos banho de rio do Braço, a água estava gelada e gostosa. Abriu sol nesta hora. Apanhei bênção de vô, vó e pai. Durmo leve.
Dia 30/11/06 – Goiânia (GO)
Hoje apresentamos o espetáculo no Circo Laheto. Chegamos às 14:30hs para uma conversa com os alunos. Foi divertido. Mostramos o mapa do Brasil e contamos algumas estórias do que vivenciamos nestes lugares.
Ensaiamos e depois lanchamos com Maneco, Seluta e alguns palhaços do circo que traziam questionamentos sobre o palhaço brasileiro.
Às 21:00hs, o espetáculo.
Os Quinans vieram ver a Quinan que palhaceou em sua terra natal. Foi um ótimo espetáculo. Depois fomos à casa de Lélia e Sandra nos despedir. Cervejas, grandes conversas e boas palavras. Dormimos às 3 da manhã.
Dias 27, 28, 29/11/06 - Goiânia (GO)
Esses foram dias de família, matar saudades de tantas tias, tios e primos que eu não via há muito, comer pamonha e arroz com piqui.
Fomos num evento chamado quartas de farinha, um sarau que reune muitos artistas daqui. Foi uma noite de causos, música caipira e muita pamonha. Conhecemos Dionísio - Bombinha.
Dia 26/11/06 – Goiânia (GO)
Fizemos a apresentação de “troca artística” para amigos e convidados. Marcamos outra apresentação do espetáculo inteiro para dia 31.
Dias 25/11/06 – Goiânia (GO)
Visitamos o Circo Escola Laheto, fundado e administrado por Maneco e Seluta. Combinamos de fazer uma apresentação juntos para conhecer o trabalho dos palhaços e eles, o nosso.
Dia 24/11/06 – Goiânia (GO)
Partimos rumo à Brasília. Cidade cheia de lógica e concreto. Bonita assim mesmo. Depois seguimos para Goiânia.
Dia 20/11/06 – Alto Paraíso (GO)
Passamos o dia no povoado de Moinho. Lá havia uma antiga fazenda de moer trigo e muitos escravos. A comunidade é hoje de remanescentes dessa época. Tivemos a sorte de chegar na casa de dona Flor, parteira e fazedora de remédios. Logo que nos viu no portão já convidou pra entrar e, no aperto de mão e no jeito que olhava nos olhos já deu pra entender que ela sabia de muitas coisas. Acomodou-nos em sua sala onde havia uma grande mesa de refeições, garrafas de licores, vinhos, xaropes… Na prateleira muitas bananas da terra.
Só perguntou nossos nomes e pôs-se a contar suas histórias e como se tornou parteira:
Ela disse que sua mãe nunca havia dito como nascia um bebê. Toda vez que ela procurava essa resposta, a mãe desconversava e contava coisas bobas de cegonha. Um belo dia chegou a hora da mãe parir sua última filha, irmã de Dona Flor que já estava com seus18 anos. Haviam 3 parteiras experientes e nenhuma deu conta do parto. Desenganaram o caso, dizendo que ela morreria. Dona Flor, que tudo olhava da fresta, ouviu uma voz dizendo que arrebentasse a corda e entrasse. Nervosa e amedrontada foi o que ela fez. Segundo ela, estava tomada por uma coisa: foi pegando a mãe e contorcendo, sem entender o que fazia, mas sabendo que era assim que devia fazer. Até que a criança nasceu. Estava roxa e foi dada como morta. Ela reavivou a mãe colocando cânfora no rosto, sem nunca ter ouvido falar nisso. Depois pegou o bebê no colo. Ouviu a voz falando:
_Bate nela!
Ela duvidou, mas como a criança já estava morta mesmo, assim o fez. A menininha então desengasgou, cuspindo uma bolinha de sangue e começou a chorar. As parteiras entraram no quarto correndo, ajoelharam e rezaram. A mais velha chorou.
Dona Flor contou muitas estórias. Ficamos lá a tarde inteira ouvindo.
No final ela disse:
_ E vocês, o que vieram fazer aqui?
_ Nós viemos perguntar se a senhora conhece a Geraldine, uma professora que dá aulas de artes.
_ Claro, é minha vizinha. Eu levo vocês lá.
