Dia 19/11/06 – S. Jorge (GO)

19 de Novembro de 2006

Andamos pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros até um cânion e uma cachoeira. Ambos formados pelo rio Preto, água boa de beber e banhar. Nosso guia foi Nivaldo, filho de Dona Ana, que nasceu aqui e o parque sempre foi seu quintal. Sorte dele.
A vegetação é completamente diferente: cerrado puro. A canela-de-ema é boa pra acender fogo, a congonha é folha boa para os rins, pimenta de macaco para cólicas, a casca da curriola é a melhor parte da fruta, vi um tucano.
De noite fomos ver o pôr-do-sol no mirante. Humm… que silêncio cerrado!
Ju viu sua estrela cadente e eu a minha.
Que pedido fazer nessa hora?
Não consigo pensar exatamente num pedido, fico extasiada de alegria e sorrio em segredo entre eu e o céu.





Dia 18/11/06 – S. Jorge (GO)

18 de Novembro de 2006

As aventuras de Bifi e Quinan. Episódio do carro:
O carro já estava com problema na maçaneta da porta do passageiro. Era preciso entrar pelo outro lado ou abrir por dentro. Agora, nenhuma nem outra abriam. A única opção era entrar pelo porta-malas, que estava abarrotado de malas muito bem encaixadas e para tanto, teríamos que tirar uma por uma.
Super-Bifi disse que sabia resolver o problema da maçaneta: era só passar óleo nela.
Passou óleo de amêndoas (o único que tinha). Só que por fora e não no miolo, uma vez que esta se encontrava fechada. Nada mudou, a não ser o cheirinho agradável do carro empoeirado.
Super Quinan elaborou a idéia de amarrar um barbante ligando o porta-malas com a maçaneta de dentro do carro. Mas era preciso alcançá-la para abrir.
Bifi então, diz que vai passar sem precisar tirar nenhuma mala, apoiando aqui e ali.
Quinan disse que a bunda não passaria no vão, mas mesmo assim Bifi foi e conseguiu! Abriu a porta, fizemos a ligação direta com o barbante, mas nunca usamos.
Pois uma vez aberta, Quinan com sua perspicácia, passou óleo no miolo da fechadura e não tivemos mais problemas.





Dia 17/11/06 - São Jorge (GO)

17 de Novembro de 2006

Chegamos no Goiás. Aqui começa o horário de verão. Perto de Niquelândia vimos algumas vilas operárias construídas para os funcionários de alguma exploradora de metais. É pena ver tantas fazendas perdidas no meio desse Brasilzão velho com porteiras. Preferia eu ver a terra habitada por homens, matas e rios. Perguntei-me: Como será que esses funcionários se divertem? Certamente jogam futebol, mas será que ali no meio dessa gente há um poeta? Há um sambista?
Ai Ai… Divagações.
Divagar-ções.
Pegamos a Rodovia da Fé até S.Jorge, passando pelas belas chapadas. Estrada de terra. Terra vermelha e mata verde-verde.
Acampamos no quintal de Dona Ana. Há que se calcular bem onde se arma a rede e barraca pois o quintal é cheio de mangueiras. Tomara que nenhuma manga caia sobre nossas cabeças!





Dia 16/11/06 – Talismã (TO)

16 de Novembro de 2006

Acordamos às 6 da manhã, tomamos café e pé na estrada. Só paramos às 19 horas. Dormimos em hotel de posto de gasolina. Os caminhoneiros estavam pendurados na TV assistindo o penúltimo capítulo da novela.





Dia 15/11/06 – Imperatriz (MA)

15 de Novembro de 2006

Partimos de Belém às 9:30 com a Firula já no carro. Fomos buscá-la na casa de Camilo e Camila, que se emocionou com a despedida da pretinha.
Estamos novamente em nosso carro, vida de caminhoneiras. Voltamos às estradas depois de tantos dias sobre águas. Estamos na Belém-Brasília e a estrada encontra-se em ótimas condições. Chegando perto de Umarizal o álcool entrou na reserva, paramos para abastecer e não havia álcool. Somente dali a 60 km. Decidimos ir à farmácia mais próxima comprar álcool comum, mas na hora de ligar o carro a bateria pifou. E hoje é feriado.
Bem, um rapaz nos ajudou, levando-nos à casa de quem vende baterias e compramos outra novinha. O carro funcionou e seguimos até a próxima cidade com álcool de farmácia. Dois reais o litro.





Dia 14/11/06 – Belém (PA)

14 de Novembro de 2006

Arrumamos as malas no carro que está lotado. Marcos Quinan nos ajudou a colocar as esteiras no bagageiro. Carro de palhaças ou de mercadoras?
Jantamos com Roseli e Marcos.
Risadas, conversas, lembranças e um brinde de despedida.
Boa noite.





Dia 13/11/06 – Belém (PA)

13 de Novembro de 2006

Marina ficou no computador para finalizar o projeto para o Prêmio Carequinha da Funarte e eu fui pôr do sol no carro, quer dizer, fui pôr o som no carro.
Rafael nos mandou esse presente.
Depois fui ao Ver-o-peso comprar cuias, castanhas do Pará e farinha. Peguei algumas esteiras, paneiros e tipiti com a Fatinha.
De noite fomos no bar da praça nos despedir de João e Sueli. Conheci Alex, seu nome está tatuado em seu braço. Morador de rua, anda com as mãos, as mãos o levam. É assim que ele pode. Falou dos Trapalhões, lembrou de todos: Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Contou lembranças deles. Criamos ali uma cumplicidade, nos divertimos juntos. Ele disse que era feio, eu disse que não achava. Ele arregalou os olhos pra mim, ficou surpreso. Ele cantava e eu ia junto. Pegava o pé, discava e atendia o telefone. Fez palhaçadas pra mim. Olhou-me e fez um gesto para que eu prestasse atenção no que ele ia fazer. Ele lança a pergunta para todos:
_ O que é melhor, pedir ou roubar?
_ Pedir.
_ Então dá um trocado aí.

Rimos.





Dia 12/11/06 – Belém (PA)

12 de Novembro de 2006

Pelas ancas da tanajura!
Apresentamos no S. José Liberto. Haviam 150 pessoas. O espetáculo não rolou muito por causa do espaço, acústica ruim, a distância do público… mas tivemos bons momentos improvisados.
É preciso preencher os detalhes. A riqueza de um palhaço são os detalhes.





Dia 11/11/06 – Belém (PA)

11 de Novembro de 2006

Essa página deixou de fazer sentido no momento seguinte em que a escrevi.

“Não gosto do que acabo de escrever, mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço.”
(Clarisse Linspector)





Dia 10/11/06 – Belém (PA)

10 de Novembro de 2006

“Sei o que estou fazendo aqui: estou improvisando.”
(Clarisse Lispector)