Brasil na cabaça | 2006

Primeiro projeto itinerante da dupla - uma viagem de estudo e pesquisa prática pelos estados do Maranhão, Bahia, Ceará e Pará,

com duração de sete meses.  

Arthur Andrade

Essa sessão está mais temporária que as outras duas. Aqui eu acho que vale irmos alimentando essa galeria com as imagens, conforme o projeto vai acontecendo. Acho que também é legal levar essa pg pra ser vista /possível de entrar lá na primeira pg, onde teremos a agenda. E aqui, seria interessante um texto falando sobre essa viagem. O que vcs acham?

Arthur Andrade

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Palhaças

Amazônia adentro

2008

Palhaças Amazônia Adentro (2008) foi uma parceria com os Doutores da Alegria. A dupla percorreu durante 10 meses comunidades ribeirinhas, quilombolas e indígenas dos estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Maranhão, exercendo o ofício da palhaçaria.

A dupla recebeu a visita de Anderson Spada, Davi Taiyu, Fernando Paz e Luciana Viacava, também palhaços e parceiros dos Doutores da Alegria e assim, puderam atuar juntos nas comunidades do estado do Maranhão. As intervenções foram filmadas e fotografadas por Rodrigo Luz e Frederico Galante. Confiram as fotos e os vídeos produzidos nesse projeto!

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Taracuá, rio Uaupés,

São Gabriel da Cachoeira (AM)

Sabá é professor de matemática do ensino médio, já viajou para SP, RJ e Brasília. Disse que o mundo da cidade é igual a um mato cheio de onças, você pode morrer a qualquer hora. Sempre que se referiu ao mundo dos brancos usou a expressão: _ O mundo envolvente.

Fotos: Rodrigo Luz

Com os  Yawanawás no Rio Gregório (AC)

Subimos até uma das aldeias dos Yawanawas que fica proxima daqui. Tonin entrou na brincadeira com tudo. Inclusive Bifi quase quebrou o pescoço no jogo!

 

A lingua facilitou todo o improviso pois todos falam o português, inclusive as crianças.

Fotos: Rodrigo Luz

A definição katukina sobre a panema:  
_ É como um carrapato. Ela gruda e você não percebe. Tomamos o Kambô porque ele faz você sentir que vai morrer. Daí o carrapato também acredita e vai embora. Mas você sobrevive e a panema passa.

Almoçamos farinha e banana na casa do filho da D. Antônia que tinha dois jabutis de estimação.

Brincamos de cana e mamão na aldeia Masheya. Mulher puxava de um lado, homens do outro. Quem ganha, fica com a cana. A do mamão era jogar o mamão para seu time, não deixando o outro pegar. Nisso o mamão já ia ficando machucado, pronto para comer. E foi o que aconteceu com o time vencedor.

Com os  Katukinas no Rio Gregório (AC)

Fotos: Rodrigo Luz

No fim do dia, antes de anoitecer, o sino da igreja tocou muita gente foi a um encontro que era um pouco de missa (feita por um padre indígena) misturada com reunião comunitária para organizar a festa. Vimos duas senhoras indo para a igreja, cada uma com sua lanterna. Falavam na língua delas. Quando nos viram, perguntaram se éramos enfermeiros. Dissemos que éramos palhaças. Ela nos contou que há muito tempo veio um grupo assim, ela não sabia se de SP ou RJ. Disseram que gostaram muito.

_Como era o nome do grupo?

 _ Não sei não. Isso a gente esquece.

Camanaus e Serra Baixa (AM)

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Fotos: Rodrigo Luz

Fotos: Rodrigo Luz

Cachoeira do Aruã, rio Arapiuns (PA)

Na casa de Ana, Bifi tomou uma poção mágica que Quinan foi buscar para fazer seus dentes reaparecerem, pois haviam fugido da boca. As crianças jogavam água nos pés, na cabeça, mas não adiantava... os dentes corriam e Bifi corria atrás.

Fotos: Rodrigo Luz

Mazagão Velho, rio Mutuacá (AP)

Um dia inteiro para chegar.

Duas balsas é preciso para atravessar os rios.Chegamos no fim da tarde na pequena cidade toda enfeitada com bandeirinhas, as nuvens amarelas de sol poente. 

"viemos lá de Marrocos

 para uma vila habitar

 revivemos nossa história

num cantinho do Amapá"

Fotos: Rodrigo Luz

Santarém (PA)

Jose Luis Barbosa Cunha é o Palhaço Pimentinha, saxofonista da Orquestra da cidade. Entrou para o circo de tanto olhar. Um dia o palhaço adoeceu e ele sabia tudo de cor. Assumiu seu lugar desde entao. Ficamos uma tarde toda conversando com ele. Nos ensinou a entrada da Égua Relampago.

Fotos: Rodrigo Luz

Céu do Mapiá (AM)

Fui comprar pão e fui atendida por duas menininhas, uma de uns seis anos e outra de cinco. A mãe delas estava deitada com dor de malária. Já era tarde da manhã e como a vida ali começa muito cedo:

_ Tem pão?

_ Agora só de ontem.

_ Me dá 4.

Oswaldo me contou que aqui perto tem um igarapé de nome Quinã, parece que é uma variante do nome de outro igarapé chamado Quimiã. Segundo informações do padrinho Alfredo, seu irmão Valdete, encontrou o Quinã procurando o caminho para Quimiã e passou a chamá-lo assim até por dificuldade de pronuncia. Bem, assim se escreve a história...

Frechal, Damásio e Ilha dos Lençois (MA)

com Anderson Spada, Davi Taiyu, Luciana Viacava e Fernando Paz

Chegamos no Frechal `as 11:30hs. 

Cumprimentamos D.Duzinha que estava alegre como eu nunca vira antes. Disse que havia pensado na gente semana passada, sem saber que vínhamos.

Ilha dos Lençóis (MA)

com Anderson Spada,   Davi Taiyu, Luciana Viacava
e Fernando Paz

Partimos com o sol nascendo rumo `as terras dos filhos do rei Sebastião. Assim gostam de ser chamados os habitantes da Ilha, que foram conhecidos durante muito tempo pelo nome de Povo da Lua. Devido ao grande número de albinos, só saiam de casa `a noite. 

Ouvimos muitas histórias do boi Turino e do cavaleiro que aparece em noites enluaradas. Antigamente muita gente via essas figuras no alto da morraria, como chamam as dunas aqui. Mas dizem que o encantado foi morar em outra comunidade porque aqui já está muito movimentado. Antigamente encontravam peças em ouro debaixo da terra e o morro que treme todo dia.

Hoje somente

em luas cheias. 

Fotos: Rodrigo Luz

Fotos: Rodrigo Luz

Fotos: Rodrigo Luz

 

Brasil na cabaça

2006

Brasil na Cabaça (2006) foi uma viagem de estudo e pesquisa prática pelos estados do Maranhão, Bahia, Ceará e Pará, para encontro com palhaços e público de outras regiões, coletando e estudando gagues, histórias, diferenças e semelhanças nas formas de atuação dos fazedores de palhaçadas, bem como a convivência com novas situações socioculturais. Foi realizado com recursos próprios e teve duração de sete meses.

Agradecemos à:

Ana Maria Leis, Beatriz Sayad, David Reeks, Renata Meireles, Érika Moura, Flávio Tolezzani, Guiulia Mendonça, Izabel Franco, Marcelo Quinan, Bola, Gabriel Carmona, Gabriela Cordaro,  Georgete Fadel, Cristiane Paoli-Quito, Meninas do Conto, Raul Barreto, Juliana Gontijo, Soraya Saide, João Miguel, Fábio e Ana Thomaz, Wellington Nogueira, Edson Lopes, Thais Ferrara, Morgana Masseti, Marco Dalpozzo, Rubens Amatto, Rafael Pellota, Luciano Bortolucci, Lais Fleury, Fofa, Folias D’Arte, Arthur Andrade, Casa Grande, Família Ponciano,  Mariana Leis Balsalobre, Pricila Franco, Ana Paula, Lucimara Correia, Dulce e JoãoMenezes, Roseli Naves, Gorda, Magnólio, Fabinho, Rafael, Babi, Lica, Ricardo, Projeto Saúde e Alegria, Chantal, Fernanda, Diana, Maneco, Seluta, Norma, Emiliano, Luciana, Flor de Ouro, Pedrinho, D. Consu, palhaço Colorau, palhaço Trepinha e o Anônimo - telelém, telelém.

Agradecemos as comunidades:

Prainha, Jaguarari, Tauari, Nazaré, Taquara, Pini, Itapuama, Maguari, Jamaraquá, Suruacá e Marai - rio Tapajós (PA); Cachoeira do Aruã, Urucuriá, Pascoal e S.Pedro - rio Arapiuns (PA); Aritapera - rio Amazonas (PA); Quilombo de Frechal (MA) e nossa fiel companheira, Firula.

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Andre Mardock

O trabalho da Juliana e da Marina tem aquilo que a gente busca o tempo todo no teatro e na vida: o inevitavelmente humano. O sensível e o inteligente. São artistas da improvisação, que estudam desde sempre a relação delicada, verdadeira e sem hierarquias entre quem faz e quem vê. Desenvolvem um trabalho de alta qualidade técnica, simples em suas ideias e complexo em sua comunicação, cheio de vida, que faz a energia da vida rodar e que revela justamente por isso a graça e a poesia de existir. Sem fazer força pra isso. Aliás, a própria essência ética do trabalho parece ser essa. A Juliana e a Marina são duas atrizes lindas, elegantes, vigorosas, profundamente amorosas, que cultivam entre elas uma química rara no nosso teatro de hoje, capaz de movimentar mil montanhas. Desejo que muitas pessoas tenham a oportunidade de receber as vibrações dessa dupla fantástica.

Georgete Fadel . Atriz e Diretora da Companhia São Jorge de Variedades, professora de teatro da Escola Livre de Santo André. São Paulo, 28 de fevereiro de 2006.

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

Rodrigo Luz

 

Viagens impossíveis

Feito através de fotos - quadro a quadro - esses pequenos vídeos guiados pelo olhar de  Rodrigo Luz, mostram o caminhar das palhaças num outro tempo-espaço. Elas estão sempre indo pra algum lugar...

Ir - Ficha Técnica

Ilha de Marajó (PA)

Palhaças: Bifi (Juliana Balsalobre) e Quinan (Marina Quinan)

Fotomontagem: Rodrigo Luz e Frederico Galante

Música: Per un dollar bucato | Rupay

Ir

Seguir

Seguir - Ficha Técnica

Ilha dos Lençóis (MA)

Palhaças: Bifi (Juliana Balsalobre) e
Quinan (Marina Quinan)

Fotografia e edição: Rodrigo Luz e
Frederico Galante

Música: Quinteto Armorial

Acasos

Acasos - Ficha Técnica

Palhaças: Bifi (Juliana Balsalobre) Dadúvida (Davi Taiu)

De Derson (Anderson Spada)

Montanha (Fernando Paz)

Lola Brígida (Luciana Viacava)

Quinan (Marina Quinan)

Fotografia e edição:
Rodrigo Luz e Frederico Galante

Música: Quinteto Armorial, Astor Piazzolla, Salomão Habib, Villa Lobos, Omar Faruk

 

"Quando Bifi e Quinan chegaram na floresta amazônica, respiraram um ar tão puro, que não quiseram mais usar nariz de palhaço."

Dedê Paiva